Conta-se que, em certa localidade, havia dois irmãos. Um, desde cedo se aprimorou nas ciências, estudando e trabalhando com afinco. Conquistou um bom emprego como ministro do rei.
O outro não desejou estudar e, dadas as necessidades, empregou-se como remador. Mas vivia reclamando da boa vida do irmão e da nulidade que era a sua.
Certo dia o rei realizou uma viagem, com seu ministro, e utilizou justamente o barco onde ele servia como remador.
Durante todo o dia, o rei observou-o a reclamar da sua má sorte e da boa estrela do irmão, sentado confortavelmente ao lado do monarca.
Quando caiu a noite e eles atracaram em um porto, o rei o chamou e lhe disse: Ouvi um barulho na margem esquerda. Você pode verificar de que se trata?
O remador foi ao local e voltou dizendo que o que o soberano ouvira fora os ruídos de uma gata dando à luz.
E quantos gatos ela pariu? - Perguntou o rei.
O remador saiu a correr e retornou com a resposta: São cinco, meu senhor.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Os braços de meu pai
Haverá lugar mais seguro no mundo, do que os braços de meu pai?
Haverá abraço mais forte, presença mais certa, do que a certeza de meu pai?
Depois
de partir tantas vezes, depois de lutar tantas vezes, haverá outro lar
para onde eu possa voltar, senão para a mansão do coração de meu pai?
Haverá professor mais dedicado, médico mais experiente, conselheiro mais sábio do que esse?
Haverá olhos mais zelosos, ouvidos mais atentos, lágrimas mais sentidas, sorrisos mais serenos do que os dele?
Existirá
mais alguém no mundo que lute por mim como ele? Que se esqueça de suas
necessidades pensando nas minhas? Que esteja lá, em qualquer lugar, a
qualquer hora, por seu filho?
Existirá
mais alguém no mundo que renuncie a seus sonhos pessoais por mim, e que
chegue até a tornar os meus sonhares os seus próprios, por muito me
amar, e por muito querer me ver feliz? Existirá alguém?
Raros
são os corações como o dele. Raros como a chuva durante a estiagem.
Raros como o sol nas noites eternas dos polos terrenos.
domingo, 5 de agosto de 2012
Entendimento
Nos tempos antigos, havia um grande explicador dos textos evangélicos.
Tratava-se de um sábio sempre disposto ao serviço da compreensão e da bondade.
Talvez por isso, tenha organizado uma escola em que ensinava com indiscutível sabedoria.
Certa feita, prestou especial atenção em um aprendiz que se lamuriava de maus tratos recebidos na via pública.
Convidou o jovem para saírem pelas ruas de Jerusalém, implorando esmola para determinados serviços do templo.
A maioria dos transeuntes dava ou negava, com indiferença.
Contudo, em uma esquina movimentada, um homem vigoroso respondeu-lhes a rogativa com aspereza e zombaria.
O mestre tomou o aprendiz pela mão e ambos o seguiram, cuidadosos.
Não andaram muito tempo e o viram cair ao solo, ralado de dor violenta, provocando o socorro geral.
Em breve, verificaram que o irmão irritado sofria de cólicas mortais.
Demandaram adiante, quando foram defrontados por outro cavalheiro, que sequer se dignou a lhes responder à súplica.
Ele se limitou a lançar, na direção dos pedintes, um olhar rancoroso e duro.
Orientador e tutelado lhe acompanharam os passos.
Quando o homem alcançou a própria casa, nela havia um compacto grupo de pessoas chorosas.
domingo, 29 de julho de 2012
Apenas a obrigação
A notícia chamou a atenção pela violência, como tantas que a mídia divulga diariamente.
Essa,
porém, tinha um quesito diferente. Jovens de classe média alta,
escolarizados, bem vestidos, saudáveis, atacaram um morador de rua.
O
fato, ocorrido na madrugada de uma cidade grande, seria mais um nas
estatísticas policiais, não fosse a presença de outra pessoa em cena.
Esse também jovem, classe média, de boa família, reagiu de forma diferente ao ver o morador de rua sendo espancado.
Sem pensar nas consequências, movido apenas pelos seus valores, ele se colocou entre os agressores e o morador de rua.
Sua
intenção era a defesa do agredido, chamar à razão aqueles que deixaram
de ser racionais, ao se permitirem dar vazão a instintos bárbaros.
Como consequência, tornou-se igualmente vítima da violência.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Jogo do contente
Foi no ano de 1912 que a escritora americana Eleanor Hodman Porter lançou a novela intitulada Polyanna. A repercussão, na época, no mundo inteiro, foi de uma impressionante onda de esperança, entusiasmo e otimismo.
A
novela relata a história de uma menina, órfã de mãe, cujo pai
encomenda, para o Natal, uma boneca que ela estava pedindo há muito
tempo.
Quando chegou a encomenda, contudo, para grande decepção da menina, o embrulho continha um par de muletas.
Quando ela começa a chorar, o pai a consola dizendo que ela deve ficar contente.
Contente por quê? Desabafa ela. Eu pedi uma boneca e ganhei um par de muletas.
Pois fique contente por não precisar delas.
A partir daí, o pai, muito sábio, estabelece o que ele chamaria o jogo do contente.
Assim,
quando ele morre e Polyanna é entregue aos cuidados de uma tia amarga,
carrancuda, exigente, em vez de sofrer com as maldades que ela lhe
apronta, Polyanna encontra em tudo um motivo para ser feliz.
O quarto é muito pequeno? Ótimo, assim ela o limpará bem mais depressa.
Não
existem quadros na parede, como havia em sua casa? Que bom, assim ela
poderá abrir a janela e olhar os quadros da natureza, ao vivo.
Não tem um espelho? Excelente, assim nem verá as sardas do seu rosto.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Não se envergonhar
“Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem.” – Jesus. (LUCAS, 9:26.)
Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.
Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.
A vida de um homem é a sua própria confissão pública.
A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.
Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.
Muitos aprendizes existem satisfeitos consigo mesmos tão-somente em razão de algumas afirmativas quixotescas. Congregam-se em grandes discussões, atrabiliários e irascíveis, tentando convencer gregos e troianos, relativamente à fé religiosa e, quando interpelados sobre a fúria em que se comprazem, na imposição dos pontos de vista que lhes são próprios, costumam redargüir que é imprescindível não nos envergonharmos do Mestre, nem de seus ensinamentos perante a multidão.
Todavia, por vezes, a preocupação de preservar o Cristianismo não passa de posição meramente verbal.
Tais defensores do Cristo andam esquecidos de que, antes de tudo, é indispensável não esquecer-lhe os princípios sublimes, diante das tarefas de cada dia.
A vida de um homem é a sua própria confissão pública.
A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé.
Muito infantis o trovão da voz e a mímica verbalista, filhos da vaidade individual, junto de ouvintes incompreensivos e complacentes, com pleno esquecimento dos necessários testemunhos com o Mestre, na oficina de trabalho comum e no lar purificador.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Terapia contra o medo
O medo, até certo ponto, é uma reação natural perante aquilo que desconhecemos e se expressa por variadas formas no dia a dia.
Causam-nos medo a expectativa de um acontecimento desagradável, a surpresa perante uma situação difícil que não sabemos como enfrentar, ao menos no primeiro momento.
Também a expectativa por uma resposta que talvez seja negativa pode nos provocar certo receio, que pode se transformar em ansiedade controlada.
Também existem os medos de fantasmas, de tormentas, do escuro, da água ou do fogo que, quase sempre, são resultado do período infantil e que ainda não conseguimos vencer.
Mas existe um outro tipo de medo. É esse receio que se agiganta e nos leva a um estado de grande ansiedade, por acontecimentos pequenos ou até de simples expectativas.
Tal estado gera taquicardias, calafrios ou suores abundantes. Tudo demonstrando um desequilíbrio psicológico.
O medo desfigura a realidade. Coisas insignificantes se agigantam e se avolumam, fazendo-nos ver muitas situações distorcidas.
No Rio de Janeiro, uma senhora muito rica precisou, certo dia, ir ao costureiro provar um vestido novo para uma festa. Seu carro estava na oficina. Ela telefonou ao marido e lhe disse:
Bem, estou saindo agora. São três horas da tarde. Vou chamar um táxi porque acho mais seguro. Deverei estar de volta em torno das seis horas. Se eu não estiver de volta até esse horário, por favor, me procure.
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