Pede você que os Espíritos desencarnados se manifestem sobre o álcool, sobre os arrasamentos do álcool.
Muito difícil, entretanto, enfileirar
palavras e definir-lhe a influência. Basta lembrar que a cobra, nossa
velha conhecida, cujo bote comumente não alcança mais que uma só pessoa,
é combatida a vara de ferro, porrete, pedra, armadilha, borralho, água
fervente e boca de fogo, vigiada de perto pela gritaria dos meninos,
pela cautela das donas de casa e pela defesa do serviço municipal, mas o
álcool, que destrói milhares de criaturas, é veneno livre, onde quer
que vá, e, em muitos casos, quando se fantasia de champanha ou de
uísque, chega a ser convidado de honra, consagrando eventos sociais.
Escorrega na goela de ministros com a mesma sem-cerimônia com que
desliza na garganta dos malandros encarapitados na rua. Endoidece
artistas notáveis, desfibra o caráter de abnegados pais de família,
favorece doenças e engrossa a estatística dos manicômios; no entanto,
diga isso num banquete de luxo e tudo indica que você, a conselho dos
amigos mais generosos, será conduzido ao psiquiatra, se não for parar no
hospício.