quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Receita da felicidade

Nos primeiros tempos apostólicos, conta-se que, dentre os discípulos, Tadeu era dos comentaristas mais inflamados, no culto da Boa Nova.
Certa feita, na casa de Pedro, ele se entusiasmou na reunião.
Relacionou os imperativos da felicidade e clamou contra os dominadores de Roma e contra os rabinos do Sinédrio.
Tocado de indisfarçável revolta, dissertou longamente sobre a discórdia e o sofrimento reinantes no povo.

Situou a causa de tudo isso nas deficiências políticas da época.
Depois que o discípulo muito falou, Jesus lhe indagou:
Tadeu, como você interpreta a felicidade?
A resposta foi:
Senhor, a felicidade é a paz de todos.

O Cristo então lhe perguntou como ele se sentiria realmente feliz.
O Apóstolo inicialmente se sentiu acanhado, mas logo começou a falar.
Disse que atingiria a tranquilidade se pudesse alcançar a compreensão dos outros.
Para isso, desejava que o próximo não lhe desprezasse as intenções nobres e puras.
Admitia que, por vezes, errava.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tu tens um medo

Tu tens um medo: acabar.
Não vês que acabas todo dia?
Que morres no amor; na tristeza;
Na dúvida; no desejo.
Que te renovas todo dia
No amor; na tristeza;
Na dúvida; no desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
*   *   *
Cecília Meirelles nos faz pensar sobre esse medo imenso que ainda nos assusta: desaparecer, acabar, morrer.
Alguns nem falam sobre o tema, por insegurança psicológica, como se falar ou não sobre esse fato natural, evitasse alguma coisa.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O importante é decidir

A poetisa Cora Coralina desencarnou no ano de mil novecentos e oitenta e cinco, aos noventa e seis anos.
Quando idosa, perguntaram-lhe em uma entrevista, o que era viver bem.
Ela respondeu à repórter:
Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo a você: Não pense.
          
Nunca diga: Estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo que estou velha e nem que estou ouvindo pouco.
É claro que, quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos. Isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.
             
O melhor roteiro é ler e praticar o que se lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga para você mesma que está ficando esquecida porque assim você fica mais.
 Nunca digo que estou doente, falo sempre: Estou ótima!
Não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então, silêncio!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Nem mais um dia sem sorrir

Depois que minha filha nasceu, não passo mais nem um dia sequer sem sorrir.
Esta foi a declaração desse pai apaixonado pela nova vida que segurava nos braços e que modificaria sua forma de ver o mundo e de viver, para sempre.
 
Uma nova vida é sempre um novo sorrir.
Sorrir de Deus, que concede nova chance a um de nós.
Sorrir da natureza, que se renova, que vibra com seus ciclos belíssimos na Terra.
Sorrir de quem chega pois, por mais que a existência seja ainda campo de provação e expiação, é também campo de redenção, de novos caminhos. Um passo a mais para a felicidade.
 
E ainda, sorrir de quem recebe no lar um novo ser, que não é propriamente novo, mas que aterrissa no planeta de uma forma muito especial, através das vestes da infância.
Uma nova vida é sempre um novo sorrir.
Identificamos na criança a confiança que o Criador deposita nas mãos da Humanidade.
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Só de passagem

A expressão  Estou só de passagem, ao se referir à vida física, atesta que a pessoa tem convicção imortalista.
Ela sabe que é breve sua passagem pelo planeta. Mesmo que chegue aos cem anos, se considerar a eternidade, é um lapso temporal breve.
A pessoa, que assim se expressa, manifesta a convicção de quem tem os olhos postos no futuro. Vive no mundo, mas com a inabalável certeza de que sua preocupação deve ser com o Espírito imortal, esse que sobreviverá à morte corporal.

Se isso é louvável, um detalhe, no entanto, não pode ser esquecido. É que a vida corporal é etapa imprescindível ao progresso do Espírito.
É na carne que se experimentam as provas. É nas vicissitudes da vida que o Espírito cresce, utilizando sua inteligência e criatividade, para superar transtornos e desafios.
Isso nos diz que os mundos materiais são importantes. São moradas, estâncias, onde o Espírito se reveste de carne e habita. E progride.

sábado, 6 de outubro de 2012

A canção do amor

Quando Karen, como qualquer mãe, soube que um bebê estava a caminho, fez todo o possível para ajudar o seu outro filho, Michael, com três anos de idade, a se preparar para a chegada.

Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias Michael cantava perto da barriga de sua mãe. Afinal, ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo dela nascer.

A gravidez se desenvolveu normalmente.

No tempo certo, vieram as contrações. Primeiro, a cada cinco minutos; depois a cada três; então, a cada minuto uma contração.

Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto de Karen demorou horas. Enfim, depois de muito tempo de sofrimento, a irmãzinha de Michael nasceu. Só que ela estava muito mal.

Com a sirene no último volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Saint Mary.

Os dias passaram. A menininha piorava. O médico disse aos pais para se prepararem para o pior. Havia poucas esperanças. Karen e seu marido começaram, com muita tristeza, os preparativos para o funeral.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O tesouro maior

Eu não sabia o significado de Seus discursos ou de Suas parábolas, até quando Ele não estava mais entre nós.

Mais ainda, eu não compreendi, até que Suas palavras tomaram formas vivas diante de meus olhos, e se transformaram em corpos que caminham na procissão de meus próprios dias.

Deixai-me dizer o seguinte:

Uma noite, enquanto eu me encontrava pensando, e recordando Suas palavras e Seus feitos, para escrevê-los em um livro, três ladrões adentraram minha casa.

Embora soubesse que eles vieram despojar-me de meus bens, eu estava absorto demais no que estava fazendo para enfrentá-los com a espada, ou até mesmo dizer: "O que fazeis aqui?"

E continuei escrevendo minhas recordações do Mestre.

Depois que os ladrões se foram, lembrei-me de Seu dizer: "Aquele que vem para levar vosso manto, deixai que leve vosso outro manto também."

E compreendi.

Enquanto eu permanecia sentado, registrando Suas palavras, nenhum homem poderia ter-me impedido mesmo que me levasse todas as posses.

Pois, embora desejasse resguardar minhas posses e minha pessoa, eu sei onde está o tesouro maior.